terça-feira, 2 de julho de 2013

Tiros na escuridão


Depois da ventania cai a força
Tiro os olhos do trabalho e examino o quarto, 
a casa vazia de luz e de vida.
Sento na cama pra pensar, buscando retiro.

Sinto na cama antigas feridas
Tiro da cabeça pensamentos pesados que levam pra baixo.
Os do passado, não há quem tire.
A revolta por tudo o que tiraram de mim. Tiraram de nós.

O ar em volta fica pesado
Quando penso que dela tiraram mais ainda
Nunca entendi como ainda não se deu um tiro
Tiro a imagem da cabeça e o grito dos pulmões.

Mãos que cuidam de vidas machucadas
Não cuidam do próprio viver
Esse é o tiro que não disparou
E mesmo tentando não tiro essa sentença.

É mesmo uma doença, um vício
Que não dá tempo nem brecha
Pra descer a escadaria da cegueira
Era preciso mais de uma vida inteira.

Tiro de mim a responsabilidade
Mas não tiro a indignação
Que permaneça viva, ardendo
Sempre teimando e descendo. Degrau
                                                               por
                                                                                degrau.


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