domingo, 14 de julho de 2013

Demónios interiores


Sentei à minha mesa os meus demónios interiores,

falei-lhes com franqueza dos meus piores temores,
tratei-os com carinho, pus jarra de flores
abri o melhor vinho, trouxe amêndoas e licores.
Chamei-os pelo nome, quebrei a etiqueta
matei-lhes a sede e a fome
dei-lhes cabo da dieta,
conheci bem cada um, pus de lado toda a farsa
abri a minha alma como se fosse um comparsa.
E no fim, já bem bebidos, demos abraços fraternos
de copos bem erguidos brindámos aos infernos!
Saíram de mansinho, aos primeiros alvores,
fizeram-se ao caminho
sem mágoas, nem rancores.
"Adeus, foi um prazer!" - disseram-me a cantar
mantém a mesa posta,
porque havemos de voltar.

- Jorge Palma

*O autor é português.

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