terça-feira, 23 de julho de 2013

PONTO DE PARTIR

Você não acredita na realidade que vê. Não pode ser verdade!
"O que está por trás dessas cortinas tão vibrantes?"
Chega a sentir-se apavorad@, impotente....pequen@.
Então vê que não pegou o caminho mais fácil, mais curto, mais vendido.
Neste outro vai deixar sua trilha de sangue, suor e lágrimas. Vai perder muita coisa. Pessoas. Mas vai seguir. Vai perder-se também.

Histórias da infância trazem a esperança de que depois da fase ruim logo logo tudo se resolve. Mas não se resolve. Não logo. Começa a pensar se não está ficando louc@, ouvindo vozes. Muitas vozes: pedidos de mães desesperadas, gemidos de jovens assassinad@s e o silêncio de um povo calado (a força, a força). Ouve o choro, a raiva e a revolta contida de séculos. (Explosão) 

Dos cacos vai surgindo outro ser. Não é mais a pessoa ingênua do começo da caminhada. Sentiu na boca o gosto da injustiça que não escreveram nas livros da escola, nem no jornal, nem na novela. 

Volta os olhos pra trás e vê que só havia um caminho, de fato. Que o resto era uma peça numa caixa de areia onde ninguém se move. Lamenta-se pelas almas que escolheram ficar e segue. Agora tem companheir@s que precisam de você. E você - descobriu - precisa del@s, louc@s como são.

Agora a sombra do monstro já não é tão grande, nem as noites tão frias. Sente que caminha com passos firmes o caminho que escolheu. O sol vem raiando, triunfante como a verdade, anunciando o fim da madrugada. Faremos, junt@s, um enorme e barulhento DESPERTAR.

domingo, 14 de julho de 2013

Demónios interiores


Sentei à minha mesa os meus demónios interiores,

falei-lhes com franqueza dos meus piores temores,
tratei-os com carinho, pus jarra de flores
abri o melhor vinho, trouxe amêndoas e licores.
Chamei-os pelo nome, quebrei a etiqueta
matei-lhes a sede e a fome
dei-lhes cabo da dieta,
conheci bem cada um, pus de lado toda a farsa
abri a minha alma como se fosse um comparsa.
E no fim, já bem bebidos, demos abraços fraternos
de copos bem erguidos brindámos aos infernos!
Saíram de mansinho, aos primeiros alvores,
fizeram-se ao caminho
sem mágoas, nem rancores.
"Adeus, foi um prazer!" - disseram-me a cantar
mantém a mesa posta,
porque havemos de voltar.

- Jorge Palma

*O autor é português.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Pra levantar o ânimo!


Dobradinha revolucionária. 
Coisa de ontem e de hoje, dizendo a mesma coisa:
A luta é o que muda, o resto só ilude.

"Considerando que os senhores nos ameaçam com fuzis e canhões, nós decidimos:
De agora em diante temeremos mais a miséria do que a morte"

"O Crime do rico a lei o cobre
O estado esmaga o oprimido
Não há direitos para o pobre
Ao rico tudo é permitido"

Tiros na escuridão


Depois da ventania cai a força
Tiro os olhos do trabalho e examino o quarto, 
a casa vazia de luz e de vida.
Sento na cama pra pensar, buscando retiro.

Sinto na cama antigas feridas
Tiro da cabeça pensamentos pesados que levam pra baixo.
Os do passado, não há quem tire.
A revolta por tudo o que tiraram de mim. Tiraram de nós.

O ar em volta fica pesado
Quando penso que dela tiraram mais ainda
Nunca entendi como ainda não se deu um tiro
Tiro a imagem da cabeça e o grito dos pulmões.

Mãos que cuidam de vidas machucadas
Não cuidam do próprio viver
Esse é o tiro que não disparou
E mesmo tentando não tiro essa sentença.

É mesmo uma doença, um vício
Que não dá tempo nem brecha
Pra descer a escadaria da cegueira
Era preciso mais de uma vida inteira.

Tiro de mim a responsabilidade
Mas não tiro a indignação
Que permaneça viva, ardendo
Sempre teimando e descendo. Degrau
                                                               por
                                                                                degrau.