domingo, 26 de maio de 2013

Oração do Google.

Achei no deviantart essa oração e rachei o bico.

"Our Google, which art in Wi-fi

Quick be thy search.
Thy results come, thy buffer be done,
On Bing as it is in Chrome.
Give us this day our daily updates
And forgive us our spelling
As we forgive those who butcher English grammar.
And lead us not into Apple,
But deliver us from Siri.
For thine is the Wi-fi, the processor, and the Android forever.
Amen."

Tradução livre:

Nosso Google que estais no Wi-fi
Rápida seja tua pesquisa.
Que venham teus resultados, seja feito teu buffer*,
Tanto no Bing, como no Chrome.
Nossas atualizações do dia nos dai hoje
E perdoai nossa escrita
Assim como nós perdoamos aqueles que assassinam a gramática
E livrai-nos da Apple,
Mas nos leve ao Siri.
Pois tua é a Wi-fi, o processador e o Android para sempre.
Amém.
*"carregar" as páginas numa parte da memória RAM.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Reflexões sobre o amor...


Sempre tive resistência a essa ideia de que "temos que encontrar alguém para amar", ou "quem ama de verdade ama só uma pessoa". E blablabla. "Amor não isso!" algo lá dentro me dizia.
Até que um dia encontrei uma amiga e ela - que também se questionava sobre esse e tantos outros temas - me disse que estava lendo um livro interessante. E me mandou esse trecho:

"O amor não é, primacialmente, uma relação para com uma pessoa 
específica; é uma atitude, uma orientação de caráter, que determina a relação de alguém para com o mundo como um todo, e não para com um “objeto” de amor. Se uma pessoa ama apenas a uma outra pessoa e é indiferente ao resto dos seus semelhantes, seu amor não é amor, mas um afeto simbiótico, ou um egoísmo ampliado. Contudo, a maioria crê que o amor é constituído pelo objeto e não pela faculdade. De fato, acredita-se mesmo que a prova da intensidade do amor está em não amar ninguém além da pessoa “amada”.
Este o mesmo equívoco de que acima já falamos. Por não se ver que o amor é uma atividade, uma força da alma, acredita-se que tudo quanto é necessário encontrar é o objeto certo — e tudo o mais irá depois por si. Tal atitude pode ser comparada à de alguém que queira pintar mas, em vez de aprender a arte, proclama que lhe basta esperar pelo objeto certo, passando a pintá-lo belamente quando o encontrar. Se verdadeiramente amo alguém, então amo a todos, amo o mundo, amo a vida. Se posso dizer a outrem, “Eu te amo”, devo ser capaz de dizer: “Amo em ti a todos, através de ti amo o mundo, amo-me a 
mim mesmo em ti"

Que mudança na vida das pessoas teria uma ideia tão simples e ao mesmo tempo tão profunda!
É isso mesmo: amor é algo profundo, tem relações profundas com o mundo.
Muito diferente daquela ideia tosca que as novelas e filmes nos mostram. Aquela ideia superficial de amor.

O livro é este: "
A Arte de Amar" de Erich Fromm.

Medicalização. Das crianças, das pessoas, da VIDA!

Enquanto isso, no império:

****
A epidemia de doenças como TDAH tem mobilizado gestores de saúde pública, assustados com o excesso de diagnósticos e a suspeita de uso abusivo de drogas como Ritalina, inclusive no Brasil. E motivado algumas retratações por parte de psiquiatras que fizeram seu nome difundindo a doença. Uma reportagem do The New York Times conta que o psiquiatra Ned Hallowell, autor de best-sellers sobre TDAH, hoje arrepende-se de dizer aos pais que medicamentos como Adderall e outros eram “mais seguros que Aspirina”. Hallowell, agora mais comedido, afirma: 

“Arrependo-me da analogia e não direi isso novamente”. E acrescenta:
“Agora é o momento de chamar a atenção para os perigos que podem estar associados a diagnósticos displicentes. Nós temos crianças lá fora usando essas drogas como anabolizantes mentais – isso é perigoso e eu odeio pensar que desempenhei um papel na criação desse problema”.
****

Quantos de nós já não tomamos Ritalina? Quantos de nós já não damos esses e outros "remédios" aos nossos pequenos? Quantas doenças não tem sido criadas? (nos dois sentidos: de criarmos condições de vida que adoecem as pessoas; e de darmos nomes a essas novas disfunções) Quantos bilhões movimentados? Ponto.

E nós com isso?


http://revistaepoca.globo.com//Sociedade/eliane-brum/noticia/2013/05/acordei-doente-mental.html

http://www.youtube.com/watch?v=9qRYyUPUeJU

sábado, 18 de maio de 2013

Cientistas confirmam...

"Cientistas ingleses" confirmam: a ciência é só uma das várias formas de se pensar o mundo e incidir sobre ele. Ela não é uma pasta homogênea, mas um campo de batalha. Há diferentes modelos de ciência comprometidos com diferentes modelos de mundo. O mesmo vale pras universidades: tem muita gente produzindo e reproduzindo muitas ideias de mundo.

A ciência não sabe de tudo. Os cientistas também erram. Também mentem. 
Os cientistas se protegem e defendem os interesses de quem financiou suas pesquisas e defendem determinados projetos de mundo, conscientes disso ou não. Os antigos já pensaram o mundo, questionaram, criaram diversas tecnologias e resolveram diversos problemas. Da mesma forma nós também somos capazes de pensar o mundo, pensar projetos de mundo, pensar e criar soluções para nossos problemas. Nós somos capazes de criar e não há título, fundação, congresso, nem prêmio que tire isso de nós!

Que nessa confusão veloz que chamamos de vida, não deixemos nunca se apagar a chama criadora
que temos dentro de nós!


quinta-feira, 2 de maio de 2013

Porém - Sergio Vaz


O poema se chama porém, mas bem podia chamar lição.

Porém - Sergio Vaz

Queria ter vivido melhor,
Porém a mediocridade sempre me foi farta e generosa
Nos caminhos que escolhi para viver.

Queria ter sido mais alegre,
Porém a tristeza sempre foi companheira fiel
Nos dias intermináveis de abandono.

Queria ter amado mais as pessoas que conheci
Ou que fingi conhecer,
Porém na maioria das vezes, eu também não me conhecia.

Queria ter andado mais livre,
Porém, algemado à ignorância, perdi muito tempo
Tentando voar sem sequer saber andar.

Queria ter lido mais livros,
Porém, analfabeto de ousadia, passei muitos anos
Enxergando pelos olhos adormecido de outras pessoas.

Também queria ter escritos mais poemas
Do que bilhetes pedindo desculpas,
Porém, as palavras sempre me vieram como culpa
E não como estrelas.

Queria ter roubado mais beijos e abraços
Das meninas que andavam desprotegidas,
Protegidas pela magia da infância,
Porém, cresci muito cedo, e a timidez sempre me foi
Uma lei muito severa a ser cumprida.

Queria ter pensado menos no futuro,
Porém, o passado simples nunca foi o melhor presente
E a eternidade sempre me pareceu coisa de gente que tem preguiça de viver.

Queria ter sido um homem mais humilde
Porém, a vaidade e a ganância sempre me cercaram
De mimos e coisas que até hoje não sei para que serviram.

Queria ter pregado mais a paz,
Porém, como um covarde, gastei muita munição tentando atingir amigos e
desconhecidos que não usavam coletes à prova de balas nem blindados no
coração.

Queria ter sido mais forte,
Porém rir dos vencidos e bajular os mais ricos
Sempre me pareceu o caminho mais curto
Para o esconderijo secreto das minhas fraquezas.

Queria ter dito mais a verdade,
Porém a mentira sempre foi moeda de troca
Para comprar o respeito e a admiração das pessoas fúteis
De almas vazias.

Queria que o mundo fosse mais justo
Porém, avarento de nascença, fui o primeiro a esconder o sol na palma da
mão, antes que o vizinho o fizesse.

E mesquinho por vocação escondi as noites com lua
Para que os poetas não a cortejassem.

Queria ter dito mais besteiras,
Porém fui desses idiotas amantes das proparoxítonas
E sujeito oculto nos bate-papos de botecos de esquinas,
Onde a vida não acontece por decreto.

Queria ter colhido mais flores,
Porém o medo de espinhos afugentou a primavera.

E outono que sempre fui,
plantei inverno quando a terra pedia verão.

Hoje queria ter acordado mais cedo,
Porém temo que pra mim
Seja tarde demais.

SERGIO VAZ

*do livro "Colecionador de pedras"