segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Eles e o padrão


Esse é o padrão. 
É cruel: mutila, persegue e poda dia-a-dia.
Desliga a televisão, joga essa revista no lixo e vem brincar, flor. 

Vem brincar de ser você mesma. 
Descabelada, cabeluda, afro, trancinhas, 
dread, careca também, mas vem. 

Vem brincar, me ajuda a colorir de poesia 
esse mundo cinza que os homens criaram para eles...

Um novo dia tá nascendo e eu tenho pressa!
Diga alguma coisa, não "sim ou não", se expressa!
Recita comigo versos livres, mostre seus dentes, sua alegria!
Mostre sua coragem, suas garras, sua gana de alforria!

Essas correntes invisíveis no seu corpo (não vê?) são deles.
Academia, silicone, lipo, salto, útero, boca e espelho. Tudo deles.
Casamento, pia e fogão.
Cama arrumada, camisas passadas e na mesa, o feijão.
Para eles, tudo deles, sempre eles. Eles e o padrão.