sábado, 20 de outubro de 2012

Uma palhaçada

Tinha uma senhora que trabalhava na biblioteca que tava sempre de cara amarrada, nunca a vi sorrindo. Daí que uma vez ela chegou na entrada da faculdade e me viu de cara pintada, nariz vermelho e mudo. Sem dizer palavra me aproximei, entregando pra ela folhetos imaginários de festas - o ato era uma sátira - e brincando e desafiando com o olhar. Ela riu-se toda e em harmonia com o vermelho do meu nariz e com meu silêncio (aparente) brincou.
Desde então, sempre que me vê, sorri . Não aquele sorriso morno que damos pros conhecidos, mas aquele sorriso vivo, que até os olhos sorriem. Aquele que damos pra quem pôde olhar nossa alma.
E nada me tira da cabeça que no fundo ela queria ser uma palhaça também. Naquele momento eu sei, sei, que ela queria tirar o uniforme de adulto, guardar tudo, e ficar alguns minutos, silenciosos minutos, vermelhos narizes minutos, minutos caretas e brincadeiras.