sábado, 26 de fevereiro de 2011

João do Vale / José Cândido - Carcará
Carcará
Lá no sertão
É um bicho que avoa que nem avião
É um pássaro malvado
Tem o bico volteado que nem gavião
Carcará
Quando vê roça queimada
Sai voando, cantando,
Carcará
Vai fazer sua caçada
Carcará come inté cobra queimada
Quando chega o tempo da invernada
O sertão não tem mais roça queimada
Carcará mesmo assim num passa fome
Os burrego que nasce na baixada
Carcará
Pega, mata e come
Carcará
Num vai morrer de fome
Carcará
Mais coragem do que home
Carcará
Pega, mata e come
Carcará é malvado, é valentão
É a águia de lá do meu sertão
Os burrego novinho num pode andá
Ele puxa o umbigo inté matá
Carcará
Pega, mata e come
Carcará
Num vai morrer de fome
Carcará
Mais coragem do que home
Carcará.

http://letras.terra.com.br/joao-do-vale/46538/

De uns tempos pra cá tenho reparado com
um novo olhar "pras" coisas mais ásperas
O deserto, o sertão, o sertanejo, o marginal.
Tenho me sentido áspero...meio carcará.
Esse carcará tido como malvado e valentão eu vejo como um viés.
Um papel... a terra áspera precisava de um valentão
e o carcará precisa comer.
Vai tu mesmo, faz o que tem que fazer.
Faz bem feito e faz sem culpa.
Não é sua culpa não ser colorido e formoso
Nem o olhar sério e insensível que lança.
Carcará camarada.