quinta-feira, 9 de junho de 2011

Considerações - The Corporation

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Acabei de assistir ao documentário "The Corporation" e me encontro apavorado.
Quero dizer, tenho um professor que vislumbra o dia em que seremos imortais e um colega de república cujo sonho é fazer clones, além claro dos inúmeros conhecidos e desconhecidos que estão praticamente cegos. Cegueira branca.

Então, com os olhos cheios de lágrimas pesadas, eu indago: onde estou?

A sensação agora é de desespero, mas de esperança também. Talvez eu não conheça meu papel nessa peça perversa criada há tempos e ainda não vislumbre o que poderei fazer pra mudar essa situação, mas há um modo de descobrir tudo isso: seguir em frente. É o que sempre fizemos e o que me comprometo a fazer agora, com o coração batendo forte alimentando um grito que um dia sairá.
Não sei onde essa escada, esse caminho tortuoso vai me levar, mas sei que não estou só e vou dar todos passos que puder.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

João do Vale / José Cândido - Carcará
Carcará
Lá no sertão
É um bicho que avoa que nem avião
É um pássaro malvado
Tem o bico volteado que nem gavião
Carcará
Quando vê roça queimada
Sai voando, cantando,
Carcará
Vai fazer sua caçada
Carcará come inté cobra queimada
Quando chega o tempo da invernada
O sertão não tem mais roça queimada
Carcará mesmo assim num passa fome
Os burrego que nasce na baixada
Carcará
Pega, mata e come
Carcará
Num vai morrer de fome
Carcará
Mais coragem do que home
Carcará
Pega, mata e come
Carcará é malvado, é valentão
É a águia de lá do meu sertão
Os burrego novinho num pode andá
Ele puxa o umbigo inté matá
Carcará
Pega, mata e come
Carcará
Num vai morrer de fome
Carcará
Mais coragem do que home
Carcará.

http://letras.terra.com.br/joao-do-vale/46538/

De uns tempos pra cá tenho reparado com
um novo olhar "pras" coisas mais ásperas
O deserto, o sertão, o sertanejo, o marginal.
Tenho me sentido áspero...meio carcará.
Esse carcará tido como malvado e valentão eu vejo como um viés.
Um papel... a terra áspera precisava de um valentão
e o carcará precisa comer.
Vai tu mesmo, faz o que tem que fazer.
Faz bem feito e faz sem culpa.
Não é sua culpa não ser colorido e formoso
Nem o olhar sério e insensível que lança.
Carcará camarada.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Na era da informação, mais do que nunca, conhecimento é poder!

Abaixo um trecho da entrevista que Julian Assange [Wikileaks] concedeu aos internautas brasileiros.

Ele coloca de maneira bastante clara e simples, como é feita a distribuição [perversa] de poder na nossa sociedade e como devemos nos importar e buscar uma reação.


"Vários internautas
 – Que tipo de mudança concreta pode acontecer como consequência do fenômeno Wikileaks nas práticas governamentais e empresariais? Pode haver uma mudança na relação de poder entre essas esferas e o público?
James Madison, que elaborou a Constituição americana, dizia que o conhecimento sempre irá governar sobre a ignorância. Então as pessoas que pretendem ser mestras de si mesmas têm de ter o poder que o conhecimento traz. Essa filosofia de Madison, que combina a esfera do conhecimento com a esfera da distribuição do poder, mostra as mudanças que acontecem quando o conhecimento é democratizado.
Os Estados e as megacorporações mantêm seu poder sobre o pensamento individual ao negar informação aos indivíduos. É esse vácuo de conhecimento que delineia quem são os mais poderosos dentro de um governo e quem são os mais poderosos dentro de uma corporação.
Assim, o livre fluxo de conhecimento de grupos poderosos para grupos ou indivíduos menos poderosos é também um fluxo de poder, e portanto uma força equalizadora e democratizante na sociedade."


Leia na íntegra http://www.viomundo.com.br/entrevistas/julian-assange-a-manipulacao-de-informacoes-pela-midia-e-mais-perigosa-a-democracia-do-que-a-feita-por-governos.html

Exaustão

Querem me domesticar!!
Eles estão quase lá...
Me vencendo com todo esse cansaço
Todos esses olhares e críticas perversos
Que ainda não me acostumei.

Para quem nada contra a corrente
seria esse o tal castigo?
É esse o prêmio para quem busca um pouco de justiça,
um pouco de dignidade?

As vezes um estranho amor me invade o peito
Me obriga a gritar, me obriga a reagir.
De repente ele se vai me deixando no limbo das incertezas.

Vejo-os com olhos de pena,
por não verem o que vêem os meus.
Vejo-os com desprezo, pois o que merecem
é o como preferem!

A trilha está cada vez mais estreita, cada vez mais deserta.
A língua fala menos,
as pernas andam menos,
os punhos batem menos,
e a chama quase apaga.

Aqui mesmo vou me ajoelhar
enquanto espero o amor voltar.

-André

Exercício do dia 02/06/10
Obrigado pela força, Manucci.

Vazio

Às vezes solitário, sento-me num canto
Debruço-me nas pernas, que me consolam o pranto

As lágrimas então
Vão murchando minhas flores
Lavando todo o meu ser
Levando os meus amores

Lembro de tantos que amei...
Tantos que não me deram tempo para amar
Tantas coisas que deixei
E quantas ainda irei deixar?

Penso naqueles que se foram
Naqueles que não vão voltar
São ninfas todos eles!
Que seduzem para enganar

Em meio a isso, sinto um vazio por dentro
A minh'alma então se cala, procurando sentimento

Sentir eu queria poder; poder eu queria sentir
Um sofrimento que fosse; que fosse um sofrimento
Mas que me fizesse vivo denovo
Sentindo um sentimento.

Deus, eu clamo! Peço sem palavra alguma
Queria sofrer de amor outra vez
A chorar neste canto por coisa nenhuma.

-Alysson Garcia

Um poema que o amigo Alysson escreveu e compartilhou comigo.
Eu - atrevido que sou - coloco aqui de tanto que me vi nesses versos.

A Carne

A carne é o que liga os ossos e faz mover o corpo.
A carne fede depois de morta e vira comida de verme.
O filho da carne é o que me faz imortal, que leva minha poesia através dos anos...
É esse filho que me causa tanta insônia com suas inúmeras perguntas e críticas.
Um dia é a febre e o termômetro, no outro é o coração arfando e
lágrimas estreptocóccicas rolando pelo rosto virgem.
Todos aqueles óvulos e gemadas que o fizeram o máximo da minha carne
e me levaram à loucura tantas e tantas tardes.
A primeira paixão foi vivida e sofrida por todos à mesa.
Bárbara era seu nome e também a dor que vimos em seus olhinhos pequenos.
- André


Escrito dia 24/05/10 para um exercício durante uma aula de literatura [brainstorm]

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

O assunto não é você.

Alex Castroll, também conhecido por violinista cego do metrô,
coloca nesse texto um dos vícios do nosso tempo: o individualismo.
E dá dicas de como se perceber individualista e como caminhar rumo
à mudanças importantes para aqueles que querem ser pessoas melhores.

Obrigado Alex, vou reler quantas vezes for preciso até ouvir a campainha interior tocar.

Pitadinha:
Você não saber como explicar ao seu filho um fenômeno humano ancestral como a homossexualidade não é justificativa para proibir alguém de viver seu amor.

Fonte: http://www.interney.net/blogs/lll/2011/01/23/o_assunto_nao_e_voce/

Me disseram que ostra feliz não faz pérola. E quem falou estava prenhe de razão.

Pior que um dia de chuva acordado, é um dia de sol dormido
Pior que a distância geográfica, é a distância emocional
Pior que o vazio da censura, é o vazio do medo
Pior que medo de morrer, é medo de viver
Pior que dizer não, é não saber dize-lo
Pior que trair a pátria, é trair a si...
 - André