quinta-feira, 11 de junho de 2009

As virtudes cardeais...

"A prudência: ver aquilo que é
O agir humano é bom e ordenado quando procede da verdade, que afinal de contas nada mais é que o vir-a-encarar a realidade. E precisamente este é o sentido da prudência e de sua posição privilegiada: que - tanto quanto possível - vejamos a realidade, que eu veja como realmente são os elementos que compõem a situação que exige de mim uma decisão[...]

A justiça: dar o que é devido
"A cada um o que é seu", como diz a antiga sentença.
Precisamente isto - assim o tem afirmado o clássico pensamento ocidental desde os antigos gregos até as encíclicas sociais dos papas - é a Justiça: a vontade, constante de dar a cada pessoa, com quem nos relacionamos, aquilo que lhe é devido[...]

A fortaleza: o mais fraco resiste
O núcleo daquilo que verdadeiramente está implicado na virtude da Fortaleza é exposto pela ironia de Bertold Brecht; esse autor afirma que desconfia imediatamente quando ouve dizer que um navio precisa de uma tripulação de heróis: nestes casos pergunta-se sempre se não haverá algo de errado com esse navio, se não estará meio velho ou podre. Provavelmente, Brecht não imaginava que, quinze séculos antes dele, alguém já havia dito quase o mesmo. Este alguém é S. Agostinho que, é bem verdade, não fala de um navio, mas do mundo como um todo: com o mundo realmente há algo de errado, já que nele há o mal e o mau. E precisamente por isso é necessária a Fortaleza: Pelo fato nu e cru de que é preciso existir Fortaleza, atesta-se o poder do mal no mundo[...]

A temperança: defender-se da auto-destruição
Trata-se, na verdade, de que justamente as forças do ser do homem orientadas por natureza para a autoconservação, aperfeiçoamento e realização, são aquelas mesmas forças que podem também desnaturar-se para a autodestruição. Todas elas e, talvez, somente elas. A sexualidade é apenas uma dessas forças e é dela que menos se precisa falar especificamente, na medida em que o cristão entenda que a castidade não visa à repressão da força sexual mas a defender-se da autodestruidora perversão dessa força[...]"

-Josef Pieper
(Tít. orig.: Menschliches Richtigsein
trad.: Luiz Jean Lauand)
http://www.hottopos.com.br/videtur11/estcert.htm

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